A Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal, cumpriu, nesta quarta-feira (8), três mandados de busca e apreensão em endereços de Presidente Prudente (SP) no âmbito da Operação Platinum.
A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa altamente estruturada, voltada à prática dos crimes de contrabando, descaminho e lavagem de capitais. O foco da operação recai, especialmente, sobre o robusto aparato logístico e financeiro utilizado pelo grupo para dar suporte às atividades ilícitas.
Ao portal ifronteira.com, a Receita Federal informou que, além de Presidente Prudente, foram cumpridos outros 29 mandados nos municípios de:
Durante a operação também foram cumpridos 21 mandados de prisões preventivas.
Além das medidas judiciais, são cumpridas fiscalizações administrativas com apreensões de mercadorias de origem ilícita em empresas
A Receita Federal também informou ao portal ifronteira.com que foram apreendidas mercadorias avaliadas em aproximadamente R$ 1,6 milhão:
Participam da ação:
Segundo divulgado pela Receita, a organização criminosa investigada possui atuação interestadual e transnacional e conta com uma forte estrutura operacional para dar suporte à prática delituosa. O grupo utiliza empresas de fachada e interpostas pessoas (“laranjas”), além de adotar uma rígida divisão de tarefas que vai desde a cotação de preços no exterior até a venda dos produtos de origem ilícita em plataformas digitais.
As apurações tiveram início em agosto de 2022, a partir de uma apreensão de mercadorias descaminhadas transportadas por três veículos de passeio em comboio. No curso da investigação, constatou-se que os produtos trazidos irregularmente do Paraguai eram comercializados pelos próprios integrantes da organização por meio de plataformas de vendas on-line.
Os órgãos oficiais acreditam que somente no período entre 2020 e 2024, a organização criminosa movimentou mais de 300 milhões de reais em vendas, apenas em uma das plataformas. Estima-se que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 1 bilhão, ao longo do período investigado, entre vendas das mercadorias ilícitas e operações de lavagem de capitais.
As mercadorias objeto de descaminho eram predominantemente produtos eletrônicos, tais como aparelhos celulares, discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos eletrônicos, aparelhos de ar-condicionado portáteis, além de perfumes e tintas para impressoras.

De acordo com as investigações, a organização criminosa contava com uma estrutura formada por várias empresas, podendo chegar a 300 pessoas jurídicas, a maioria de fachada, e mais de 40 pessoas físicas.
Seus integrantes eram divididos em grupos, de acordo com as funções desempenhadas no esquema delituoso.
O “grupo de trabalho” era composto por motoristas, batedores e olheiros.
O “grupo de compras” era responsável por pedidos, cotações e pagamentos no Paraguai.
Já o “grupo de vendas” cuidava do controle das vendas, realizadas principalmente em plataformas de marketplace, além da apuração e distribuição de lucros entre os integrantes.
A investigação também identificou empresas responsáveis por atuar como “noteiras” – empresas criadas exclusivamente para gerar e comercializar notas fiscais frias, destinadas a dar aparência de legalidade à venda de produtos contrabandeados e descaminhados.
Além disso, foram identificadas mais de 10 interpostas pessoas, utilizadas como “laranjas” para a abertura de contas bancárias, a constituição de empresas e a movimentação de recursos.
Alguns dos integrantes da organização ainda atuavam nas redes sociais como especialistas em gestão de vendas, e-commerce e importação, comercializando cursos e mentorias.